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“A UFRJ está na escola!”, essa é a expressão recorrente quando a equipe do projeto de extensão Rodas de Diálogo, Acesso aos Serviços Públicos e Cidadania (IPPUR/UFRJ) chega às escolas do Rio. A iniciativa tem por objetivo aproximar estudantes do debate sobre serviços públicos e o papel do Estado, ampliando os entendimentos sobre o bem público, espaços coletivos e cidadania.

 

O projeto tem sido desenvolvido pelos professores do IPPUR Lalita Kraus, Deborah Werner Alberto de Oliveira, Renata Bastos e Nathália Azevedo, em parceria com a Professora Carla Hirt, do Instituto Federal do Rio de Janeiro.

 

"A iniciativa surgiu do reconhecimento da necessidade de disputarmos na sociedade outros entendimentos sobre o Estado, o bem público, os espaços coletivos, os serviços públicos, os direitos e o pacto societário constitucional, de modo a romper com o senso comum que atribui ao público e ao Estado a ideia de corrupto, ineficaz, desqualificado etc", explica a profª Deborah Werner.

 

"Buscamos o engajamento de estudantes aos temas da esfera pública, através da troca de saberes e experiências que evidenciem e problematizem as relações entre poder público e a escala da vida cotidiana. Acredita-se no amplo diálogo como caminho de fortalecimento dos laços de solidariedade em prol do bem comum e dos valores emancipatórios, capazes de contribuir para uma sociedade mais justa e menos desigual em termos econômicos, sociais, políticos e ambientais", completa.

 

Entre 2018.2 e 2019.2, foram realizadas rodas de diálogos em quatro Escolas da Ensino Fundamental, Médio e Educação para Jovens e Adultos (EJA), nos bairros da Glória, Copacabana, São Cristóvão e Bangu.

 

Segundo Deborah Werner, as visitas apontaram desigualdades territoriais na oferta de serviço público de Educação, observadas em termos infraestruturais e de gestão, aspectos ainda em análise pelo grupo.

 

Além disso, percebe-se o quão distante a Universidade ainda está de jovens com idade próxima ao seu possível ingresso, visto que para muitos o ensino superior ainda não é considerado como uma possibilidade para o futuro.

 

Nesse sentido, juntamente com temas como saneamento básico, energias alternativas e pacto federativo, a equipe da Rodas de Diálogo conversa sobre as formas de ingresso no Ensino Superior, a importância da Universidade para o desenvolvimento de pesquisas e os diversos cursos ofertados pela UFRJ.

 

"Para além da troca de conhecimentos, podemos destacar a potencialidade transformadora dos encontros entre a vivência acadêmica e a comunidade escolar, ao estimular o exercício das distintas formas de comunicar o saber, bem como promover o engajamento político a partir da legitimidade oriunda da representatividade e do reconhecimento", relata Deborah.

 

Para o anos de 2020, o projeto de extensão pretende levar para as escolas os temas trabalhados na Oficina de Comunicação realizada ao longo de 2019.2. Na ocasião, os estudantes do GPDES aprenderam ferramentas diversas de comunicação para serem aplicadas às temáticas como Educação Política, #EunaUFRJ, Projeto de Reciclagem nas Escolas, Papel dos Três Poderes, as relações entre o público e o privado, entre outros temas.

 

Aos interessados em levar o projeto Rodas de Diálogo às escolas públicas, associações de bairro, movimentos sociais ou outros coletivos, entrar em contato com This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

 

 

DEPOIMENTOS

A seguir apresentamos depoimentos de docentes e alunos envolvidos com o projeto de extensão "Rodas de Diálogo, Acesso aos Serviços Públicos e Cidadania":

 

COMUNICAÇÃO PARA A GESTÃO PÚBLICA

Por Lalita Kraus (Docente do GPDES/IPPUR)

 

No início de 2019 começou uma colaboração com o Projeto Manivela, um projeto social colaborativo fundado por estudantes do GPDES/IPPUR com o objetivo de promover mudanças em favelas e subúrbios.

 

Os membros do projeto Rodas de Diálogo e do projeto Manivela perceberam que compartilhavam o mesmo sonho na medida em que desejavam encontrar formas, estratégias comunicativas e linguagens que pudessem comunicar para a sociedade conteúdos próprios da gestão pública e questões relativas a serviços públicos, direitos e consolidação da cidadania. O segredo, como os membros do projeto Manivela costumam dizer, é descomplicar, ou seja, transformar conteúdos complexos e de difícil compreensão através de uma linguagem mais simples, relacionada com o cotidiano das pessoas, mas não por isso menos informativa.   

 

As oficinas contaram com a participação e contribuição de Pedro Novais, professor do IPPUR, Rafael Vidal e Stephanie Assaf, pós-graduandos do IPPUR, assim como representantes do coletivo Chamas, da casa Fluminense e da Republica.org. Tornou-se assim um espaço de troca e dialogo de caráter altamente dinâmico e formativo.

 

A oficina teve como resultados diferentes produtos de comunicação, tais como jogos de educação política, folders explicando o processo de licitação e o papel do Estado, vídeos explicando a questão da sustentabilidade e o acesso à universidade mediante a realização de um percurso no campus da UFRJ.

 

Isso constitui um arquivo de material a ser utilizado nas Rodas de Dialogo que serão realizadas nos próximos anos na rede pública de ensino do Rio de Janeiro.

 

Como resultado, os alunos e os professores envolvidos começaram a compreender a comunicação como um processo fundamental para a realização de qualquer projeto de extensão que pretenda sair do espaço da sala de aula para o mundo da vida cotidiana. Saber comunicar se torna assim uma habilidade central também para a atuação de gestores públicos na produção de conhecimento, na sua divulgação e na formação da opinião pública.  

 

 

JONATHAN FELIPE PEREIRA (Aluno GPDES)

 

O projeto EUNAUFRJ se consolida como um instrumento de promoção do maior nível de informação sobre os processos que envolvem a entrada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como seus principais institutos e prédios localizados no Fundão (Cidade Universitária).

 

Soma-se a isso a sua implementação que  só foi possível devido à articulação dos estudantes integrantes do projeto. Dessa forma, compreendemos a  importância e relevância do desenvolvimento e continuidade do projeto, além da necessidade de seu maior engajamento das forças de atuação. Sabemos o real valor das técnicas de comunicação como instrumento capaz de diminuir as disparidades sociais e educacionais presentes no território brasileiro e temos o prazer de dividir com vocês um pouco do nosso trabalho até aqui desempenhado.

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O QUE É CIDADANIA?

Por Isabelle Lins e Silvia Gonçalves (Alunas do GPDES)

A extensão/oficina “Rodas de Diálogo: Acesso a Serviços Públicos e Consolidação da Cidadania” carrega em seu nome, de forma abrangente, os deveres do Estado para garantirem, em sentido material, os direitos de seus cidadãos. É preciso dar acesso aos serviços públicos e formar e reformar medidas que permitam a consolidação da cidadania.

Nós, gestores públicos em formação, temos o dever de pensar e executar todas as futuras medidas, programas e projetos com um olhar para o povo. Por exemplo, não adianta instalar um posto eleitoral numa localidade onde o público precise de mais de duas horas de caminhada e dois barcos para chegar, isso impede e/ou prejudica que o individuo exerça seus direitos, mesmo que estejam garantidos num sentido formal, ou seja, constitucionalmente.

Nessa extensão, nós fazemos um trabalho de conscientização – que o Estado não faz de maneira eficiente – para com os jovens de escola pública, ensinando e relembrando a estes seus direitos e deveres, a estrutura do Estado, como fatores externos ajudam ou prejudicam o exercício individual da cidadania, entre outros pontos pertinentes. Além de fazermos análises mais completas e profundas em nossos encontros fechados, que nos ajudam a refletir sobre temáticas essenciais para nossas futuras funções, seja no setor público ou no terceiro setor.

 

O recente crescimento dos ataques diretos à Amazônia brasileira provoca uma série de questionamentos não só em relação aos seus impactos para a conjuntura política do país, mas também acerca das estruturas sociais que cerceiam esse cenário. Silvia Baptista, doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ, realiza uma análise, em entrevista para a Missy Magazine, sobre as conexões existentes entre a Amazônia, o feminismo, principalmente o não-branco, e o autoritarismo de direita. Segundo ela, ”enquanto a Amazônia queima, também morrem pessoas todos os dias nas favelas”, sendo necessário o entendimento de uma perspectiva generalizada sobre as estruturas de poder existentes nas relações sociais para que haja uma compreensão do papel do Estado nessa composição. Silvia Baptista faz parte dos movimentos sociais feministas no Brasil desde a década de 1980, e no período de 30/08 a 10/09 visitou Berlim e participou de um workshop organizado pela jornalista Camila Nobrega e pela artista plástica Bárbara Marcel. Além disso, Sílvia é co-fundadora da Associação dos Agricultores de Vargem Grande (Agrovargem) e membro da Coletiva Popular de Mulheres da Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

 

 

ENTREVISTA

Missy Magazine – Edição Novembro/Dezembro – Berlim, 2019 – Narrativa Pluriversal

  

Que conexões existem entre as queimadas na Amazônia, o feminismo e o autoritarismo de direita? Entrevista com a ativista de agroecologia e planejadora urbana Sílvia Baptista, do Rio de Janeiro

Por Camila Nobrega

 

Vou começar devolvendo uma pergunta sua, feita em uma de suas falas públicas em Berlim. “O que mais queima quando a Amazônia está queimando?”

A hipocrisia do capitalismo universal queima. Como falar das queimadas, que abrem espaço para o agronegócio, sem falar da queima de petróleo, dessa mesma lógica econômica que alimenta o modo de vida das pessoas principalmente nos países do Norte? Também é hipócrita quando esse debate não chega à relação com violência contra pessoas não brancas, tanto no campo, quanto na cidade. Enquanto queima a Amazônia, pessoas estão morrendo todos os dias nas favelas do Rio de Janeiro. A morte de ambientalistas na Amazônia e de favelados é o que possibilita que um governo autoritário ganhe terreno. Estão matando nossas lideranças, de Chico Mendes a Marielle Franco. 

 

 

Pode contar um pouco mais sobre essa relação que você faz entre a violência do Estado nas favelas e o que ocorre na Amazônia? 

Sugiro que a gente veja meio ambiente como uma teia, uma interrelação entre as pessoas e a chamada biodiversidade. Então, quando há assassinatos de indígenas, lideranças no campo, na floresta e na cidade, isso atinge a democracia e a auto-organização. Estamos falando de um impedimento de viver, se organizar, construir outros pensamentos. A repressão do Estado torna a vida mais difícil em comunidades rurais e urbanas. Na prática, a militarização possibilita que as forças protofascistas que mais lucram continuem fazendo ainda mais fogo na floresta, queimando petróleo, abrindo espaço para as atividades econômicas que os interessam. 

 

 

Você atua na zona oeste do Rio de Janeiro, que tem uma longa história de luta pela terra. O que você desenvolve lá?

A Zona Oeste do Rio é uma área também de características rurais, onde há grandes projectos de construção. O direito à permanência nesse território está no centro da nossa luta, pela manutenção dos modos de vida que ali existem há séculos. Esta disputa também é pela preservação das nossas culturas, e as formas de cultivo, de agricultura, são também legados dos/as nossas ancestrais que existem até hoje no Rio de Janeiro. Existe uma rede de mais de 200 experiências agroecológicas na Zona Oeste do Rio. E nós sempre descobrimos mais que não estão mapeadas. São formas de cultivo mantidas por famílias ou comunidades, como é o caso de comunidades quilombolas. Essas experiências trazem uma forma de cultivo de alimentos, de plantas medicinais sem agrotóxicos. Alguns desses cultivos coexistem com florestas nativas, trechos de Mata Atlântica. Ou seja, não é necessário destruir a floresta para cultivar, há formas não exploratórias e respeitosas de lidar com ela. 

 

 

Que papel desempenham os feminismos na agroecologia? 

A gente tem trabalhado muito a partir do feminismo negro, ou não-branco, periférico e agroecológico. Já há algum tempo estamos falando "Sem Feminismo não há agroecologia”. Estamos falando de um paradigma antipatriarcal. Na agricultura não centrada no mercado, as mulheres são protagonistas, a partir do conhecimento tradicional e local. Produzir para o comércio se tornou mais importante em todas as esferas. É o projeto que o capitalismo traz e que a extrema-direita está levando ainda mais adiante em todo o mundo. São muitas camadas, mas precisamos conseguir uma narrativa pluriversal. Veja bem, pluriversal, e não universal. É preciso que as pessoas se reconheçam nas suas diversas camadas de opressão.

 

 

Nessa busca, a agricultura urbana é em si um contraponto ao modelo econômico atual?

Entendemos a agricultura urbana agroecológica como uma cultura contra-hegemônica. Se contrapõe em várias camadas ao modelo capitalista, pois não se curva ao modelo de cidade que transforma tudo em mercadoria. Pelo contrário, é uma agricultura que insiste na autonomia das pessoas e em outro conceito do que seja trabalho. Não é um trabalho abstrato, é uma relação direta com a natureza, com água e comida. 

 

 

O debate pelo direito ao território, em especial às terras coletivas, tem sido desafiado pela expansão das plantações de monoculturas, do desmatamento, agronegócio, mineração, entre outros. Já nas cidades, há um processo de gentrificação em curso. No Rio de Janeiro, a preparação para os megaeventos, como Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 levaram à remoção de cerca de 80 mil pessoas de diferentes comunidades...

Os mega-eventos evidenciaram a relação entre a luta pela agricultura e pela moradia. Por exemplo, as obras relativas aos Jogos Olímpicos na Zona Oeste do Rio levaram também à remoção de hortas urbanas. Nesse período, alguns processos de batalha por direito ao território foram intensificados, com algumas conquistas. O quilombo Cafunda-Astrogilda conseguiu titulação em 2014. Isso significa a garantia do direito à uma terra coletiva. (No Brasil existem algumas possibilidades de propriedade coletiva de terras, como ocorre também com comunidades indígenas). Mas sabemos que estamos sempre sob ameaças e ficamos em alerta constante. A luta pela terra é local, mas também global. Temos de compreender - e isso queima.

 

 

Foto Berlim crédito Camila Nobrega

© Mica Moca – tempelhoferwald.berlin

 

livro observatorio habitacao

Está disponível para download a publicação Produção habitacional solidária: panorama internacional, realizada pelo INCT Observatório das Metrópoles (IPPUR/UFRJ) em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ).

 

A editoração dessa publicação faz parte de uma parceria firmada entre o CAU/RJ e o Observatório das Metrópoles Núcleo Rio de Janeiro, que pretende cooperar com a pauta do direito à cidade e à moradia digna junto das entidades de classe e suas entradas na sociedade civil. Essa colaboração acontece através do GT Habitação e Cidade, que é coordenado pelos professores Adauto Cardoso e Luciana Lago e composto por um conjunto multidisciplinar de pesquisadores, com o objetivo de produzir conhecimento aplicado que possa subsidiar políticas públicas e ações de transformação da sociedade.

 

O conteúdo lançado aqui é resultado do projeto de pesquisa “Produção Cooperativa de Habitação com uso de Inovação e Tecnologia Social para a Provisão de Moradia para Populações de Baixa Renda”, realizado a partir de um acordo bilateral envolvendo pesquisadores do Brasil e da Suíça entre os anos de 2016 a 2019, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Com coordenação de Adauto Cardoso, Luciana Lago e Ricardo Gouvêa, a pesquisa investigou experiências exitosas de provisão habitacional co-produzida e/ou autogerida pelas comunidades, num formato associativo e cooperado de trabalho, com o objetivo de detectar potenciais de transformação do desenvolvimento urbano.

 

Como  conclusão da pesquisa, em 2018 foi realizado um seminário na cidade do Rio de Janeiro com o tema Produção Habitacional Solidária: um panorama internacional, também em parceria com o CAU/RJ. As principais contribuições deste seminário para a prática e a reflexão sobre a produção habitacional solidária estão consolidadas na publicação.

 

A publicação estrutura-se em duas partes. Na primeira parte são consolidados os painéis expositivos, realizados durante o seminário no formato de palestras, com espaços de debates com o público presente e mediadores convidados a tecer reflexões. Aqui são apresentadas experiências em diversos países e, em especial, do Brasil, por meio da exposição de Luciana Lago, Sandra Kokudai, Thais Velasco. Edilson Mineiro complementa este painel com a apresentação de uma proposta de marco regulatório para a prática da autogestão.

 

A segunda parte dedica-se a sistematizar e tornar pública a memória da oficina da qual participaram lideranças de movimentos sociais de moradia, integrantes das assessorias técnicas, pesquisadores e gestores públicos. Esse momento teve como objetivo central promover a discussão sobre estratégias para o futuro da autogestão e do associativismo da produção habitacional no Brasil, a partir de sete grandes temas: Marco Legal, Associativismo, Acesso à Terra, Poder Público e Arranjo Institucional, Financiamento, Gestão e Pós-Ocupação e Assistência Técnica.

 

Como ressaltado pelo manifesto que abre a publicação, é necessário reconhecer a produção habitacional solidária e autogestionária como direito em oposição à mercantilização da cidade e da habitação, que segrega e torna ainda mais periférica a vida da classe trabalhadora, negligenciando os preceitos constitucionais de igualdade. Para as organizadoras da publicação, Luciana Ximenes e Thais Velasco, esta pretende ser uma contribuição para o fortalecimento da experiência de produção solidária no Brasil.

 

Acesse, no link a seguir, a publicação Produção habitacional solidária: panorama internacional.

 

 

 

 

»Com informações do INCT Observatório das Metrópoles.

  

Por Clarice Rocha e Lucas Dipp

Colaboração de Daniel Conceição e Kaio Pimentel

 

No dia 26 de novembro de 2019, às 9h, no Centro de Convenções SulAmérica, foi realizado o seminário “Políticas Sociais e Pleno Emprego: a Teoria Moderna da Moeda como alternativa”, com a participação de Randall Wray, professor de economia no Bard College, senior scholar no Levy Economics Institute e um dos principais autores sobre a Teoria Moderna da Moeda. O evento, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também contou com a mediação de Carlos Gadelha, professor do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fiocruz, além da presença de Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp, e José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. 

 

A partir da perspectiva brasileira sobre a “crise econômica” hoje vigente no país, o debate trazido por Randall Wray é de fundamental importância para o entendimento das finanças públicas como propulsoras do desenvolvimento econômico no país. O discurso predominantemente aceito pela opinião pública sugere que o Estado está quebrado e precisa urgentemente reduzir o crescimento dos gastos públicos. No entanto, a Teoria Monetária Moderna (MMT, sigla em inglês), proposta pelo professor, apresenta uma perspectiva distinta a essa, compreendendo que, para um governo que gaste na moeda que ele mesmo emite, é possível o financiamento de políticas públicas enquanto houver capacidade produtiva suficiente para atender um aumento na demanda agregada. Nesse sentido, há, segundo Wray, a possibilidade de adoção de novas políticas públicas, responsáveis por atender as demandas da população. Levando em consideração a disseminação do pensamento hegemônico, é de relevante necessidade que outras perspectivas, assim como a MMT, sejam apresentadas ao público brasileiro, com o objetivo de abrir espaço para novas concepções sobre o atual cenário econômico em que o país se encontra. 

 

Durante o seminário, Randall Wray apresentou brevemente seu estudo, iniciado há 25 anos. Segundo ele, a MMT não seria exatamente inovadora, mas sim uma adaptação à atualidade de diversas teorias econômicas heterodoxas, ajustadas às características da sociedade contemporânea. Assim, o professor refutou a visão convencional de que estados soberanos enfrentam restrições orçamentárias e que as políticas monetárias existem apenas com o objetivo de controlar a inflação. Alternativamente, a teoria do professor apresenta a moeda como uma criatura do Estado, e requalifica os impostos como o principal instrumento para dar valor às moedas estatais, ao invés de serem caracterizados como financiamento do gasto público. Assim, a Teoria Moderna Monetária apresenta as origens e a natureza da moeda, o papel do Estado nesse entendimento, junto ao papel das taxações, a criação de uma moeda soberana e também gera o questionamento sobre a possibilidade de um governo ficar sem dinheiro. 

 

De maneira bastante simplificada, as proposições centrais da Teoria Monetária Moderna focam na relação entre Estado, emprego e inflação. Segundo essa teoria, o Estado deve direcionar seus gastos em busca do pleno emprego, com a estabilidade de preços, através das chamadas Finanças Funcionais. A partir disso, Wray contesta diretamente a ideia que se precisa aceitar desemprego para que não haja inflação assim como rejeita a hipótese de que exista uma taxa de desemprego natural. Segundo ele, seria possível superar essa relação a partir da atuação do Estado como o “empregador de última instância” (Employer of Last Resort, ou ELR). O ELR, por sua vez, é uma política pública que garante emprego a todo indivíduo que assim desejar, com um salário base, mínimo, que ajudará a estabilizar os preços da economia. A ideia é que, no cenário de vigência do ELR, o governo incremente não apenas a demanda agregada - tendo um salário todos os que quiserem um posto de trabalho - mas também aumente o produto da economia. Portanto, a oferta agregada seria estimulada, nesse sentido, pelos esforços do governo.

 

Um ponto a ser destacado na teoria de Wray é a relação dos trabalhadores do ELR com o setor privado, onde o último poderia facilmente absorver trabalhadores no programa governamental mediante uma oferta de emprego com acréscimo de salário. O fato dos participantes do programa já demonstrarem disposição para trabalhar facilitaria a sua absorção pelas firmas. Assim, o que sustentaria essa política seria a troca do desemprego como estabilizador de preços da economia pelo salário do ELR. Isso não significaria, por outro lado, abandonar todas as demais políticas fiscais e monetárias, mas sim direciona-las como políticas anticíclicas, buscando induzir a demanda do setor privado para o equilíbrio dos preços e pleno emprego. Em outras palavras, o desemprego deixaria de servir como âncora dos preços graças ao exército industrial de reservas, deixando de lado o pressuposto de que exista uma taxa “natural” de desemprego que não acelera a inflação, baseando o nível de preços da economia no salário mínimo pago aos participantes do programa. A ideia de manter a população economicamente ativa em atividade, mesmo em períodos de crise, com o objetivo de estabilizar a economia é bastante atrativa, e os estudos da Teoria Monetária Moderna se aprofundam nesse sentido. Assim, há um oferecimento de um contraponto ao senso atual de contracionismo ferrenho e à análise orçamentária voltada para a adequação à agenda neoliberal internacional. 

 

Sendo assim, o seminário tratou, basicamente, da importância da conexão entre a economia com as políticas sociais, a saúde e os direitos humanos, o que se sustenta como uma barreira no âmbito acadêmico e prático. Tanto José Márcio Camargo quanto Pedro Rossi relacionaram a Teoria Moderna da Moeda à perspectiva econômica brasileira. Enquanto Camargo discordou de Wray e afirmou que o estado brasileiro enfrenta uma restrição orçamentária, Pedro Rossi concordou com Wray sobre a inexistência de restrição orçamentária e alegou que o orçamento deve se ajustar às demandas sociais para a consolidação de um sistema político e econômico democrático. Deste modo, foi evidenciado o papel fundamental do Estado brasileiro na reafirmação dos direitos sociais meio à crise vigente no país, em divergência com a insistência em cortes de gastos realizados pelo governo. Nesse sentido, as políticas de austeridade centradas na redução do gasto público acabam implicando em recessão e desemprego, o que diminui a arrecadação tributária. Por outro lado, assim como no Brasil desde 2015, o conjunto de medidas de austeridade sequer conseguem resolver o “problema” das contas públicas que dizem combater.

 

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O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, segundo dados da Organização Transgender Europe. Debater a realidade da população LGBTI+ é um dos temas do projeto de extensão "Desigualdade Regional e as Políticas Públicas (DRPP), da Universidade Federal do ABC. O projeto divulga o lançamento e-book "Políticas LGBTI+", que analisa as iniciativas de políticas públicas relativas ao tema da diversidade sexual e de gênero no Brasil.

 

Segundo Artur Zimerman, coordenador do Projeto DRPP, a série publica livros científicos que apontam para as desigualdades intra - e inter-regionais do Brasil, em seus contextos bem variados. Tudo isso serve como input para a criação ou revisão de políticas públicas regionais e nacionais a respeito de inúmeras questões e temáticas discutidas.

 

Blog do DRPP: www.desigualdaderegionalufabc.wordpress.com

Grupo do FB: desigualdaderegionalufabc

 

E-BOOK POLÍTICAS LGBTI+

O presente livro é o resultado de um encontro virtual do Projeto Desigualdade Regional e as Políticas Públicas, ocorrido no ano de 2018, e que tratou do tema POLÍTICAS LGBTI+I+, com a publicação em 2020.

 

As políticas públicas são uma área emergente nas discussões locais, regionais e nacionais. Cada vez mais um número maior de pessoas se interessa por essa temática, quer seja pelo aumento da representação da sociedade civil na articulação de políticas, quer seja pelas demandas de grupos específicos na sociedade.

 

Sentam-se à mesa virtual especialistas sobre o tema de políticas LGBTI+I+ de cada uma das regiões do Brasil, para que pudéssemos ter a diversidade e a representatividade de grande parte da realidade brasileira no que toca esta questão. Quase todos os participantes têm doutorado (e alguns são mestres) e são pesquisadores ativos em instituições com as quais mantêm vínculos.

 

O mundo está num momento em que mais do que nunca precisamos refletir sobre o tema aqui discutido para que, com isso, projetemos políticas mais específicas e mais humanas direcionada a este setor da população. A proposta deste livro e dos outros da série Desigualdade Regional e as Políticas Públicas clama pela necessidade de refletir o país para dar condições e oportunidades às diferentes camadas, reduzindo o abismo entre os que têm e os que não possuem absolutamente nada, e reduzir a discriminação, em âmbitos mais variados, de sexual, de gênero, etária e afins.

 

A Universidade Federal do ABC (UFABC) foi criada principalmente para colaborar com a inclusão social e educacional na região do Grande ABC, reduzindo, assim, as desigualdades e proporcionando aos jovens uma educação superior gratuita e de qualidade.

 

Não é à toa que fomos a universidade com a política de cotas mais agressiva do país, ou seja, metade das vagas destinadas a alunos menos privilegiados econômica e socialmente. Esta política está surtindo efeito e, desde 2012, temos aprovada em âmbito nacional a “lei de cotas”, em que todas as universidades federais do país devem se adequar a esta realidade com reserva da metade das vagas para alunos menos privilegiados.

 

Desde o final de 2017, foi aprovado no âmbito da UFABC reserva de 32 vagas para pessoas trans, como entrada ao ensino acadêmico. A única possibilidade de melhorarmos nossa sociedade é através da educação para todos, com excelência acadêmica.

 

Esta atividade realizada e transformada agora em livro e-book aborda exatamente questões maiores de temas selecionados para discutir e rediscutir nosso país, os rumos que estamos tomando e como satisfazer diferentes camadas da população.

 

A área de políticas públicas demanda um amplo conhecimento interdisciplinar para compreender a complexa máquina pública e os processos de planejamento, implementação e avaliação das políticas públicas, em áreas variadas e em distintos contextos políticos, econômicos e sociais, e do mesmo modo montamos a mesa virtual que foi responsável por produzir esta obra sobre políticas LGBTI+I+.

 

A elaboração e a compilação deste volume foram regadas por momentos de prazer indescritíveis, visualizando nosso futuro como nação, almejando pela melhoria das condições aos que aqui chegam, mostrando que o Brasil deve incorporar pessoas que vêm contribuir com o país, independentemente de sua origem, preferência sexual, classe social ou outra diferenciação.

 

Acesse, no link a seguir, o e-book "Políticas LGBTI+"

 

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