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São Paulo, 08 de maio de 2019.

As Associações Científicas abaixo, representadas pelos seus presidentes, vêm por meio desta manifestar sua indignação e repúdio às informações inverídicas sobre as Ciências Humanas, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Arte apresentadas pelo Sr. Abraham Weintraub, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal no dia 07 de maio próximo passado. Segundo essas informações apenas 13% dos trabalhos que apresentam relevância científica no Brasil são provenientes dessas áreas, sendo que elas estariam recebendo a maior parte das bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Essas afirmações apenas demonstram a ignorância dos fatos reais, pois os dados da própria fundação que pertence a esse ministério, a Capes, demonstram que essas afirmações são um impropério. Em primeiro lugar, as áreas citadas (Ciências Humanas, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Arte) somam juntas 26.910 bolsas de todas as modalidades (mestrado, doutorado pleno, pós-doutorado e iniciação científica). Longe de ser a maioria, representam apenas 27% das 100.742 bolsas conforme dados da Capes, que podem ser acessados no site https://geocapes.capes.gov.br/geocapes/.

Em segundo lugar, os dados referentes à produção científica das áreas nas tabelas que estão presentes na página “Detalhes da Produção Intelectual Bibliográfica de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu no Brasil 2017” da Capes, https://dadosabertos.capes.gov.br/…/detalhes-producao-intel…também demonstram que a produção científica da área é muito maior que os míseros 13% citados.

Dos 241.419 artigos registrados em periódicos avaliados pelo Qualis Capes, 63.207 são provenientes dessas áreas, representando 26% do total, compatível com o número de bolsas que as áreas detém. Dos 80.779 livros registrados, 54.060 são dessas áreas, representando 67%, mais do que o dobro de número de bolsas que as áreas detém. Dos 221.053 artigos em anais de eventos científicos, 72.908 são dessas áreas, representando 33%, acima também da media de bolsas.

Esses dados merecem credibilidade, pois foram classificados pela própria Capes que os utiliza no seu trabalho constante e competente de avaliação dos programas de pós-graduação em todo Brasil.

Infelizmente, esse discurso mascara uma tentativa em curso de acabar com os programas de pós-graduação das áreas das Ciências Humanas, Sociais Aplicadas, Linguísticas, Letras e Artes, que contém inúmeros cursos de excelência no Brasil de extrema relevância social e cultural e impacto que essas áreas apresentam no Desenvolvimento Nacional, nas suas subáreas do conhecimento da Administração Pública e de Empresas; Antropologia; Arqueologia; Arquitetura, Urbanismo e Design; Artes, Comunicação e Informação; Ciência Política; Ciências Contábeis; Demografia; Direito; Economia; Educação, Filosofia; História; Geografia; Letras e Linguística; Museologia; Música; Planejamento Urbano e Regional; Psicologia; Serviço Social; Sociologia; Teologia; Turismo; Relações Internacionais, entre outras, conforme a Tabela de Conhecimento da Capes.

Esse discurso apresenta um forte viés ideológico no sentido de tentar desqualificar essas áreas em um primeiro momento, para no futuro justificar o seu término, assim como as ações recentes do Ministério da Educação também tentam inviabilizar o ensino superior público através do estrangulamento financeiro das universidades federais.

Para piorar, soubemos conforme a Portaria n 1º/2019-GAB/PR/CAPES, que o Ministério da Educação bloqueou no dia hoje de forma generalizada todas as bolsas de mestrado e doutorado e linhas de financiamento oferecidas pela Capes, que estavam temporariamente sem uso, numa clara tentativa de desmantelar o Sistema Brasileiro de Ensino Superior de Pós-Graduação.

Essas ações demonstram a sua ignorância da História, disciplina pela qual demonstram desprezo, pois, ações como essas sempre tiveram impactos nefastos no Setor de Ciência e Tecnologia dos países e certamente afetarão sobremaneira o Desenvolvimento Nacional, condenando o Brasil à eterna dependência tecnológica e intelectual do exterior.

 

ÂNGELA MARIA GORDILHO DE SOUSA
Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo

EDUARDO ALBERTO CUSCE NOBRE
Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional

MANOEL FERNANDES DE SOUSA NETO
Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia

RICARDO OJIMA
Presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais

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