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                                                               Sessão 1 com as profªs Lalita Kraus e Tamara Egler

 

Por Rosangela Marina Luft, professora do IPPUR/UFRJ

 

A primeira sessão temática da XXV Semana PUR teve como foco a correlação indissociável entre tecnologias de comunicação e informação, as cidades e a política. A profª Tamara Egler apresentou a pesquisa "Comunicação na ruptura da democracia no Brasil", na qual aponta o crescimento de uma racionalidade de mentira nas últimas eleições presidenciais.

 

A Sessão iniciou com a apresentação da professora Tamara Egler e a pesquisa “Comunicação na ruptura da democracia no Brasil”, a qual propõe fazer uma análise da relação entre comunicação política e democracia com abordagem específica do processo eleitoral para a presidência do Brasil ocorrido em 2018, analisando as redes e estratégias dos candidatos Bolsonaro e Haddad.

 

O estudo aponta um movimento de predominância de uma racionalidade da mentira na campanha do candidato vencedor, onde as fake news descolaram a política da realidade e criaram novas subjetividades coletivas. Na pesquisa foram abordados atores, discursos hegemônicos, redes de apoio e mecanismos tecnológicos empregados, mostrando como o universo das campanhas foi composto de uma combinação entre redes vitais e redes virtuais. A professora Tamara destacou a importância de contrapor o conhecimento científico ao movimento das fake news, sendo as Universidades espaços fundamentais para essa disputa.

 

“Espaços híbridos complexos na cidade-ciborgue” foi o título da segunda apresentação realizada pela professora Lalita Kraus. Trata-se de uma pesquisa que se encontra em uma fase inicial e se justifica diante da importância de se pensar novas concepções de espaço – espaço físico e espaço virtual – num contexto de mediação cada vez mais intensa das cidades pela tecnologia. Dentro do paradigma contemporâneo das “smart cities” proposto por intermédio de cartilhas de instituições como o BNDES, é fundamental que se questione que inteligência é essa e suas dimensões.

 

Dentro desse contexto, a pesquisa analisa a experiência do Centro de Comando e Controle (CICC) implementado no período dos grandes eventos esportivos na cidade do Rio de Janeiro, avaliando sua institucionalidade e artefatos tecnológicos empregados, os quais mudam a concepção e as relações dos sujeitos com o espaço público. Importante destacar que esses artefatos não são neutros, razão pela qual a pesquisa vai buscar responder questões que buscam pensar de forma crítica e política essas tecnologias.

 

A estudante do GPDES, Maria Luiza Constâncio apresentou sua pesquisa “O projeto piloto do sistema de reconhecimento facial no Estado do Rio de Janeiro e a relação conflituosa entre segurança pública e o direito à privacidade”. Ela iniciou questionando se os presentes tinham conhecimento da adoção desse sistema em duas localidades da cidade do Rio. Questionou, ainda, se os sabiam que esse sistema estava sendo usado para classificar as pessoas identificadas. Esta última questão foi mais uma provocação, ainda não uma realidade, utilizada pela pesquisadora para suscitar nos presentes uma reflexão sobre o que seria – ou será – a realidade da cidade com o uso do sistema de reconhecimento facial.

 

Foram apresentadas três experiências onde esses sistemas estão em uso efetivo - China, EUA e Austrália - destacando suas particularidades e os problemas derivados do seu emprego no que diz respeito à privacidade e à classificação das pessoas a partir de critérios pré-estabelecidos. Maria Luiza destacou a necessidade de se dar ampla transparência a esses sistemas e uma regulação efetiva que garanta condições mínimas de proteção à privacidade.

 

O quarto trabalho foi apresentado pelo estudante de graduação em Gestão Pública, Thiago Guain e foi intitulado “Ideologia de Gênero e o ativismo em rede: velhas denominações, novas comunicações”. A pesquisa se propõe a estudar a ideologia de gênero dentro do ambiente da internet, em virtude da importância desta na atualidade e do seu papel na criação de opinião pública. Na pesquisa, Thiago mostra como as redes são locais de construção de lutas anti-gênero e seu papel na expansão mundial desse discurso, criando uma espécie de pânico moral/sexual. Na apresentação, Thiago trouxe diferente exemplos de como os discursos são construídos digitalmente e como são difundidos, propagando formas simbólicas de violência, as quais acabam repercutindo também nos discursos políticos.

 

A recém-mestre em Planejamento Urbano e Regional, Fabíola de Cassia Neves apresentou sua pesquisa de mestrado “Nós é Cria, não ONG: o Coletivo Papo Reto e o Complexo do Alemão”. Neste trabalho, ela analisa os movimentos sociais e sua relação com o território por meio da comunicação, abordando especificamente o Coletivo Papo Reto e sua atuação no Complexo do Alemão.

 

A pesquisadora qualifica o Coletivo como mídia independente, mas também como movimento social, que têm como características importantes: usar a comunicação como elemento central de atuação, disputar discursos com outras mídias e meios de comunicação, ser organização importante na avaliação e garantia de direitos humanos no Complexo do Alemão e pensar outras formas de políticas públicas (imanentes). Fabíola apresentou também algumas estratégias e as principais redes de comunicação utilizadas pelo Coletivo (twitter, whats app e facebook).

 

A última sessão foi da estudante Marcele Florêncio do curso de graduação em Gestão Pública e ela apresentou o projeto de extensão “Dos passageiros do fim do dia aos passageiros/cidadão do dia a dia”. O projeto envolveu oficinas pedagógicas realizadas por alunos da UFRJ com estudantes da EJA, cujo objetivo era debater as condições de mobilidade urbana na cidade.

 

Os desafios iniciais do projeto envolveram a definição de estratégias de comunicação que viabilizassem um diálogo efetivo entre os participantes. As oficinas iniciaram com discussões sobre situações cotidianas do deslocamento na cidade do Rio de Janeiro, avançando para debates sobre o acesso à cidade e às condições de mobilidade urbana e sobre os direitos correspondentes a condições dignas de transporte. As experiências nesse projeto de extensão surtiram efeitos nos alunos do EJA no sentido de fazê-los refletir sobre sua mobilidade e seus direitos, mas também teve importantes efeitos sobre os extensionistas, pois os fez compreender melhor a importância da comunicação na construção das relações com a sociedade.

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