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Por Clarice da Rocha, estudante do GPDES/IPPUR

 

A mesa de encerramento da XXV Semana PUR, tendo como tema “O desmonte das políticas de planejamento no Brasil”, contou com a presença de Cristiano Vilardo, analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Claudio Crespo, antigo diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE) e Nabil Bonduki, arquiteto, urbanista, professor universitário e político. Neste espaço, foi construída a ideia de que o evento organizado pelo IPPUR é uma resistência frente ao atual cenário político-estrutural brasileiro. O tema do evento, nesse sentido, foi considerado de extrema atual relevância para as instituições brasileiras de modo geral, principalmente aquelas que possuem a pesquisa como principal meio de sobrevivência, assim como a UFRJ propriamente dita.

 

Claudio Crespo iniciou a fala a partir do entendimento da “informação” como principal elemento produtor de conhecimento, configurando-se como um meio de detenção do poder. Atualmente, tal poder passou a representar um instrumento do retrocesso, sendo necessário que haja o questionamento sobre a maneira de dar sentido ao conjunto de informações diariamente disponibilizadas. Como defender a informação, uma vez que ela está sendo usada para o uso ideológico do atraso?

 

Neste cenário defensivo, Crespo analisa que o ataque à informação é uma das principais causas dos enfrentamentos às instituições responsáveis de criá-las, estando inserido o desmonte de políticas públicas como meio de desconstrução do conhecimento científico e de ataque direto à democracia. Este processo acentuou-se ultimamente, sendo responsável por gerar uma reconfiguração da estrutura social brasileira – iniciada a partir da ruptura política – que impactou diretamente os segmentos da população que representam a força de trabalho. A irracionalidade da informação e do trabalho, nesse sentido, impactou diretamente as estruturas do IBGE, que sofre constantemente ataques contra sua estrutura e seu ideal. Por fim, Crespo deu fim à sua fala incentivando a criação de uma unidade das forças de trabalho, sendo esta necessária a partir da complexidade da sociedade contemporânea.

 

Como conseguinte, Cristiano Vilardo evidenciou a desconstrução da pauta ambiental hoje presente nas estruturas do governo vigente, sendo responsável por realizar embates diretos a tudo aquilo conquistado frente às lutas populares. Nesse sentido, o discurso ambiental possui um caráter extremamente importante em sua simbologia, uma vez que é responsável por criar uma realidade almejada, transformando a ideia em uma mudança concreta. Ele analisa que está em curso, nesse sentido, a tentativa de destruição – ou da redução da importância – de mecanismos fundamentais para a preservação ambiental, como, por exemplo, por meio de ataques diretos ao CONAMA.

 

Assim, os impactos diretos na preservação do meio ambiente, de comunidades indígenas, populações tradicionais e instituições componentes do arcabouço de proteção ambiental estão sendo concretizados por meio da paralisação de órgãos responsáveis pela manutenção orgânica dos mesmos. Vilardo conclui, nesse sentido, que a resistência por meio da narrativa é extremamente necessária frente às mordaças vigentes no âmbito das políticas públicas.

 

Por fim, Nabil Bonduki contribuiu para o debate a partir de uma ampla caracterização acerca do desmonte do Estado, analisando a desconstrução daquilo que foi democraticamente conquistado pelo povo. A destruição das políticas públicas, deste modo, se dá em diversas esferas governamentais, estando impregnada até mesmo no discurso do corpo social brasileiro, que cada vez mais acredita que o Estado deve ser liberalizante e não regulador. Sabe-se que o Estado é responsável por conter os avanços dos interesses privados frente aqueles de interesse público, no entanto o que ocorre é a desconstrução desta maneira de governança estatal. Deste modo, assim como os outros participantes da mesa, Bonduki apresenta a necessidade da luta pelo direito à cidade e da resistência como principal meio de combater o pensamento retrógrado então incorporado pela sociedade brasileira.

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